Leite… é bom ou ruim?

Eu sou apaixonada por leite e por todos os seus derivados… e a moda ultimamente tem sido valorizar itens sem lactose como saudáveis, mas será que o leite faz mal mesmo?

Alguns dizem que os adultos não precisam consumir leite e que ele carrega hormônios e provoca mal-estar. Porém especialistas defendem seu valor único. E em meio a tanta polêmica acho importante analisarmos o que estudos sérios andam dizendo sobre ele.

UM COPO DE LEITE FORNECE…

6,4 gramas de proteínas, fundamentais para os músculos

8 a 10 gramas de carboidratos, um verdadeiro combustível para o corpo

6 gramas de gordura, que, além de energia, dá saciedade

244 miligramas de cálcio, o mineral que fortalece os ossos

194 miligramas de fósforo, parceiro do cálcio na defesa do esqueleto

OS TIPOS DE LEITE

Integral: Contém um teor de gordura de no mínimo 3%, e por causa dela as vitaminas A e D são preservadas. Tem 120 calorias.

Semidesnatado: Apresenta um nível de gordura de 0,6 a 2,9%, preserva parte dos nutrientes benéficos ao organismo e conta com menos calorias do que o leite integral (85 calorias).

Desnatado: Possui, no máximo, 0,5% de gordura e, por isso, poucas calorias (60 calorias). Porém, perde em substâncias como a vitamina A e D, que  nem dão as caras.

FATO OU BOATO

LEITE PODE DAR MUCO

Estudos não mostram isso. Em um trabalho, pessoas que tomaram leite até relataram o incômodo, mas, na verdade, ficou claro que não produziram mais secreção nas vias aéreas.

DIABÉTICOS DEVEM TOMAR A VERSÃO SEM LACTOSE

Nem pensar. O açúcar do leite continua ali, mas já quebrado. Ou seja, a absorção é até mais rápida – ruim para quem tem diabetes.

BEBIDAS VEGETAIS SÃO BOAS SUBSTITUTAS PARA O LEITE

O líquido que vem da amêndoa, do arroz e afins não tem o mesmo teor de proteínas e cálcio do leite. A não ser que sejam fortificadas com nutrientes.

CONSUMIR LEITE DIRETO DO ANIMAL É MUITO MELHOR

Nunca, mesmo que a vaquinha seja sua. Só de olhar é impossível saber se o leite tem bactérias perigosas, como da tuberculose.

TIRAR A LACTOSE EMAGRECE

Mito! Não é que a bebida zero lactose seja isenta de açúcar. Ocorre que ele já virou glicose e galactose antes da sair de fábrica. Esse tipo de produto é direcionado somente a quem tem intolerância.

ALERGIA AO LEITE ESTÁ MAIS FREQUENTE ENTRE ADULTOS

Não. E, se ouvir alguém maduro dizer que tem o problema, pode desconfiar. Esse quadro é comum em crianças e tende a passar.

LEITE DE CABRA TEM MENOR POTENCIAL DE DAR ALERGIA

As proteínas alergênicas da bebida da vaca são bem parecidas com as das cabras. Logo, os alérgicos (de verdade) devem ficar longe de ambas.

DEBATES SOBRE O LEITE

Segundo Olga Amancio, presidente da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição (Sban), “a Nutrient Rich Foods (NRF) classifica o leite como alimento de alta densidade nutricional. Isso significa que ele contém mais nutrientes do que calorias. Para essa classificação, o preço também é levado em conta”.

Falando sobre o cálcio, do qual o leite é a principal fonte natural, a reportagem afirma que “a verdade é que, tirando leite e derivados, as outras fontes do nutriente — como vegetais verde-escuros — contribuem pouco para suprir as necessidades diárias do mineral”. Esse é um outro ponto polêmico, pois vegetarianos e, principalmente, veganos afirmam que o cálcio pode ser obtido de outras fontes vegetais. “Analisando direitinho, dá, sim, para dizer que as folhas exibem níveis bacanas do mineral. Mas, o que interessa para os entendidos é quanto disso o corpo consegue utilizar. “Quando o cálcio vem do leite, 30% dele é absorvido. Se for proveniente de vegetais, a exemplo do brócolis, esse valor cai para 5%”, compara a nutricionista Lígia Martini, professora da Faculdade de Saúde Pública daUSP, consultada pela reportagem. “Vamos aproximar esse dado do seu dia a dia: há estimativas de que, para incorporar a mesma quantidade de cálcio ofertada por um copo de leite, deveríamos comer 4,5 porções de brócolis. Quem prefere espinafre teria que abocanhar 16 porções. É muita coisa”, explica Thaís.

A matéria também cita um trabalho do Instituto de Saúde Carlos III, na Espanha, e de outras instituições, que chamou a atenção no fim de 2016. “Em vez de ficar apenas em questionários, os pesquisadores descobriram biomarcadores no sangue — como se fossem rastros — capazes de denunciar a real ingestão de leite entre certas populações. Não foi só isso. Ao mirar em mais de 7 mil indivíduos, os cientistas não encontraram uma conexão entre a bebida e o maior risco de doenças cardíacas, assunto ventilado por aí”, explica Thaís. Esse estudo reforça a nova tendência mundial de não classificar todas as gorduras saturadas como maléficas para a saúde. A gordura dos lácteos, ao contrário de outras, não se acumula nos vasos sanguíneos e pode funcionar, inclusive, como uma espécie de “lava-jato” cardiovascular, impedindo a formação desses depósitos adiposos no sistema circulatório. O cardiologista Rogério Krakauer, da Socesp, consultado para a reportagem, é enfático: “Não devemos vilanizar a gordura saturada. Ela pode, sim, fazer parte de uma dieta balanceada”, afirma.

Flávia Fontes, idealizadora do Movimento #bebamaisleite, foi consultada por Thaís para esclarecer um assunto que tem preocupado bastante gente – que o leite contribuiria para a ocorrência de alguns tipos de câncer, por causa dos hormônios que passam da vaca para a bebida. Flávia explicou que “em pesquisa recente, cientistas viram que essas substâncias realmente entram no corpo. Porém, não são absorvidas. Para o time de estudiosos detectar vestígios de hormônios na circulação, precisou subir mil vezes a concentração deles no leite”. Outras provas, levantadas pela reportagem, mostram que a conexão entre os lácteos e a ocorrência de tumores (próstata e ovário) não foram provadas. “No último relatório do Fundo Mundial de Pesquisa em Câncer, conclui-se que as provas a respeito da conexão desses alimentos com tumores são limitadas. O que temos de dado robusto é que o sobrepeso e a obesidade elevam o risco de desenvolver esses tumores”, diz a nutricionista Maria Eduarda Diógenes Melo, da Coordenação de Prevenção e Vigilância do Instituto Nacional de Câncer, consultada para a reportagem.

E então podemos concluir que…

Se você não possui nenhuma reação (o que é individual e não universal para ser indicado a um grupo de pessoas), não possui intolerância a lactose, não precisa se preocupar com leite e derivados, ok? Mas…

Quem tem alergia… quando o problema é confirmado, a proteína do leite deve sumir da dieta. Mas aos poucos, o sistema imunológico volta aos eixos. Para testá-lo, a reintrodução é feita devagar e sempre com orientação médica – isso porque podem ocorrer reações perigosas.

Quem é intolerante… Segundo Olga Amâncio, da Sban, geralmente essas pessoas toleram até 12 gramas de lactose, o que dá mais ou menos um copo de leite. Se preferir não arriscar, o mercado esta cheio de produtos sem lactose e eles são indicados justamente para esse pessoal.

Eu não vou abrir mão do leite, e você?

 

Fonte: Revista Saúde, nº 412, Editora Abril

 

 

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s